Sobre o roteiro
Recém-restaurado após seis anos de obras e reinaugurado em setembro de 2022, o Museu do Ipiranga retornou ainda mais grandioso às margens do Riacho do Ipiranga — o mesmo onde, segundo a narrativa oficial, Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822. O edifício em si já é uma aula de história: construído entre 1885 e 1895 em estilo neoclássico italiano, com jardins que reproduzem o traçado de Versalhes, foi projetado para ser simultaneamente museu, monumento e afirmação da identidade nacional brasileira. O acervo reformulado narra a história do Brasil de forma mais plural e crítica: da ocupação pré-colonial aos povos indígenas, dos africanos escravizados à corte imperial, da proclamação da República à diversidade cultural do século XX. O setor imperial concentra os objetos mais preciosos: o trono de Dom Pedro II em veludo verde-imperial com insígnias douradas, o vestido de coroação de Leopoldina, a espada do Imperador e documentos da família Bragança. A tela monumental Independência ou Morte, de Pedro Américo, com 7,6 metros de largura, ocupa uma galeria própria com iluminação cênica que revela detalhes que reproduções nunca capturam. O biólogo Flow inclui uma parada nos jardins históricos restaurados com espécies nativas catalogadas no século XIX.